segunda-feira, 6 de abril de 2015

Vítima

O copo de cerveja me tomou em sua mão
E me bebeu
O cigarro me teve entre seus dedos
E me fumou
O bar de esquina, com suas pernas bambas,
Fugiu de mim sem pagar as contas.


Uma garota me encontrou
Agarrou-me, arrastou-me
Um beco escuro me engoliu
Enquanto a roupa fugia de meu corpo,
Ela me tomava como sua propriedade
E fui uma cadela.

Meu corpo escorraçado
Não poderia ficar vivo depois do uso
Morri pelas pancadas, pelos ossos quebrados
Fui jogado em uma lixeira,
Como o brinquedo quebrado que eu era.

As ruas continuaram a correr
Enquanto as estrelas eram agulhas para os meus olhos,
A lua iluminava a barbárie noturna da cidade
A consciência me jogou na sarjeta.

Acordei um homem no meio-fio,
Ou ele me acordou?
Eu já queimava o sol da manhã,
Ou ele me queimava?
Fui vítima ou culposo?


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