Um velho mendigo quase cego
estendeu-me a mão pedindo uma moeda. Poderia dizer que lhe dei tal moeda, que
fui além, dei-lhe um aperto de mão. Perguntei o que aconteceu, ele me narrou
sua história:
"Sempre fui pobre, mas por um
golpe do destino, estou aqui na rua com minha mulher. Estamos dessa forma há
alguns anos, vivendo da bondade dos outros, de algumas moedas pra comprar
qualquer comida. Não me diga que sou um vagabundo por apenas estar aqui e não
fazer nada para mudar, estou velho e cansado, o máximo que consigo é catar
latinhas e isto não é muito, principalmente por causa dos outros pobres
famintos que vivem do mesmo."
Se eu lhe perguntasse se tem sonhos
ou esperança, logo a resposta viria:
"Não sonho com mais nada, a
realidade matou todos eles, agora só tenho noites vazias. Mas digo que tenho
esperança! Esperança de estar vivo até amanhã, esperança de poder proteger
minha mulher, esperança de que posso sobreviver um pouco mais."
Ficaria com pena, trataria de comprar
uma quentinha, não era muito, mas muito me agradeceriam.
E eu poderia dizer que fiz tudo isso.
Porém, apenas dei-lhe uma moeda e
segui meu caminho.
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