quinta-feira, 16 de abril de 2015

Um velho mendigo

Um velho mendigo quase cego estendeu-me a mão pedindo uma moeda. Poderia dizer que lhe dei tal moeda, que fui além, dei-lhe um aperto de mão. Perguntei o que aconteceu, ele me narrou sua história:

"Sempre fui pobre, mas por um golpe do destino, estou aqui na rua com minha mulher. Estamos dessa forma há alguns anos, vivendo da bondade dos outros, de algumas moedas pra comprar qualquer comida. Não me diga que sou um vagabundo por apenas estar aqui e não fazer nada para mudar, estou velho e cansado, o máximo que consigo é catar latinhas e isto não é muito, principalmente por causa dos outros pobres famintos que vivem do mesmo."

Se eu lhe perguntasse se tem sonhos ou esperança, logo a resposta viria:

"Não sonho com mais nada, a realidade matou todos eles, agora só tenho noites vazias. Mas digo que tenho esperança! Esperança de estar vivo até amanhã, esperança de poder proteger minha mulher, esperança de que posso sobreviver um pouco mais."

Ficaria com pena, trataria de comprar uma quentinha, não era muito, mas muito me agradeceriam.
E eu poderia dizer que fiz tudo isso.

Porém, apenas dei-lhe uma moeda e segui meu caminho.

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