“Está é a invenção tecnológica final do homem!” foi o que
muitos disseram. Inclusive Paulo. Este, na verdade, já tinha praticamente a
vida perfeita: um emprego vitalício, uma das milhares de casas desenvolvidas
igualmente pelo governo para a população da cidade e toda a segurança que
necessitava. Poderia se sentir sozinho se vivesse no século passado, pois não
tinha esposa nem filhos e apenas parentes distantes, mas não nos tempos
modernos. Afinal, ele tinha todo o entretenimento possível disponível na sua
Sala Interativa, seu cômodo preferido da casa. Lá teria todos os tipos de
jogos, filmes e diversões virtuais.
E a única coisa que faltava foi desenvolvida: um aparelho
que extinguia aquela coceira do meio das costas que parecia quase impossível de
ser alcançada. Esta nova tecnologia foi um sucesso. Mesmo os que não a achavam
tão necessária compraram, para não se sentirem deslocados, já que todos tinham
no mínimo um exemplar, como dizia a televisão. Em poucas semanas não havia uma
pessoa naquela cidade sem um daqueles.
Foi neste momento que o caos começou. Todos sentiam o mesmo
que Paulo: um vazio inexpressível. Ele percebeu que sua vida não tinha mais
sentido nem objetivo. Entendeu que não tinha nenhuma importância naquele
pequeno mundo em que vivia. A realidade era está: não tinha pelo que viver.
As ações da empresa que criou o objeto catastrófico logo
caíram e, para não falir, remodelou seu aparelho. Agora o dispositivo contava
com uma mão eletrônica e sua luva. Deste jeito, o comprador teria que se coçar,
mas com auxílio da mão mecânica.
Logo a vida voltou a sua normalidade e todos estavam felizes
novamente em poderem fazer algo importante para a sociedade. Inclusive Paulo.

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