quinta-feira, 26 de março de 2015

Tempos modernos

“Está é a invenção tecnológica final do homem!” foi o que muitos disseram. Inclusive Paulo. Este, na verdade, já tinha praticamente a vida perfeita: um emprego vitalício, uma das milhares de casas desenvolvidas igualmente pelo governo para a população da cidade e toda a segurança que necessitava. Poderia se sentir sozinho se vivesse no século passado, pois não tinha esposa nem filhos e apenas parentes distantes, mas não nos tempos modernos. Afinal, ele tinha todo o entretenimento possível disponível na sua Sala Interativa, seu cômodo preferido da casa. Lá teria todos os tipos de jogos, filmes e diversões virtuais.


E a única coisa que faltava foi desenvolvida: um aparelho que extinguia aquela coceira do meio das costas que parecia quase impossível de ser alcançada. Esta nova tecnologia foi um sucesso. Mesmo os que não a achavam tão necessária compraram, para não se sentirem deslocados, já que todos tinham no mínimo um exemplar, como dizia a televisão. Em poucas semanas não havia uma pessoa naquela cidade sem um daqueles.

Foi neste momento que o caos começou. Todos sentiam o mesmo que Paulo: um vazio inexpressível. Ele percebeu que sua vida não tinha mais sentido nem objetivo. Entendeu que não tinha nenhuma importância naquele pequeno mundo em que vivia. A realidade era está: não tinha pelo que viver.

As ações da empresa que criou o objeto catastrófico logo caíram e, para não falir, remodelou seu aparelho. Agora o dispositivo contava com uma mão eletrônica e sua luva. Deste jeito, o comprador teria que se coçar, mas com auxílio da mão mecânica.


Logo a vida voltou a sua normalidade e todos estavam felizes novamente em poderem fazer algo importante para a sociedade. Inclusive Paulo.

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